Arquivo de 01 March 2008

RICARDO GONDIM- ENTREVISTA

Técnica para obter bênçãos
Ricardo Gondim aborda oração genuína

Virgínia Rodrigues

Nesta edição, mais um colunista ganha espaço para suas palavras. Ricardo Gondim está conosco desde dezembro de 2005, trazendo lúcidos e contundentes assuntos em seus textos. Há 25 anos é pastor da Assembléia de Deus Betesda, na capital paulista, exercendo sua presidência nacional e cuidando de seu rebanho local. Seu ministério recebe apoio da esposa, Silvia Geruza, pastora e psicóloga, com quem é casado há 29 anos, e dos filhos Carolina, Cynthia e Pedro, sendo já avô de Felipe Naran e Gabriela. Já escreveu 16 livros e é também um atleta, correndo em várias maratonas. P { margin: 0px; text-indent:30px; }

Nascido em Fortaleza (CE), Gondim passou a maior parte de sua infância em Londrina (PR). Como seu pai era da Força Aérea Brasileira, era constantemente transferido e, com ele, a família. Formou-se em Administração de Empresas e cursou Teologia no Gênesis Training Center, nos EUA.

É perfeitamente correto dizer que Gondim é um pensador que exerce pressão sobre a Igreja Evangélica contemporânea, tão desgastada por mazelas, incoerências, limitações. Ele cobra posturas e ações que possibilitem a prática do verdadeiro cristianismo.

ENFOQUE – Como você se converteu?

RICARDO GONDIM – Converti-me ainda adolescente. Fui evangelizado por dois colegas de escola, Nélio e Nelson Guimarães. Depois de intermináveis debates sobre religião, pedi que eles me dessem uma Bíblia, que li trancado em meu quarto. Quando cheguei em Mateus, no sermão do monte, o texto em que Jesus diz que devemos porfiar por entrar pela porta estreita, depus minhas defesas e me rendi a ele como Senhor de minha vida. Fui até o banheiro, fechei a tampa do vaso sanitário, me ajoelhei e orei. Quando saí dali, nunca mais fui o mesmo.

ENFOQUE – Sendo um pastor pentecostal, como concilia, em sua fé, a razão e a emoção?

RICARDO GONDIM – Não vejo dificuldade em conciliar fé, razão e emoção. Não acredito na possibilidade de se “departamentalizar” nossa humanidade. Somos seres integrais. Não há áreas autônomas em nossa natureza. Por isso, temos sede do sobrenatural ao mesmo tempo em que buscamos o saber, e vivemos intensamente nossas emoções. E isso se aplica tanto para o exercício da religião como para o exercício da racionalidade.

ENFOQUE – Sua igreja ainda é uma igreja pentecostal, uma vez que sua liturgia e perfil de membresia parecem distintos da maioria das Assembléias de Deus?

RICARDO GONDIM – O que define uma igreja pentecostal é sua teologia, e não liturgia ou perfil de membresia. Nossa teologia tem raízes no pentecostalismo clássico, portanto, somos pentecostais. Já fomos mais diferentes da Assembléia de Deus, mas ela vem se atualizando bastante. Novos líderes perceberam a importância de saberem dialogar com a cultura. Caso não fizessem isso, deixariam a denominação se afogar no fosso do anacronismo. As Assembléias de Deus dos grandes centros urbanos já não são tão legalistas e asfixiantes como há dez anos.

ENFOQUE – O que é ser protestante nos dias de hoje? A idéia de um concílio para essa definição é válida?

RICARDO GONDIM – Considero inválida qualquer tentativa de se organizar um concílio para definir o perfil protestante, porque as tendências e os perfis teológicos que se ramificaram a partir da Reforma Luterana no século XVI são tão múltiplos e variados que isso seria impossível. Vejo como viável os grupos se organizarem em torno de temas para debaterem e escreverem suas propostas teológicas e eclesiásticas.

ENFOQUE – Seus textos expressam certo cansaço e frustração com o meio evangélico. O que gostaria de propor?

RICARDO GONDIM- Estou realmente cansado com a infantilização dos auditórios, com as vaidades de lideranças, com as disputas políticas em cúpulas denominacionais e com os mercadejadores da Palavra de Deus. Contudo, não estou existencialmente cansado. Nunca estive tão feliz com minha família, congregação local e amigos. Venho “re-significando” alguns pressupostos teológicos meus e estou fascinado com o amor e a graça de Deus.

ENFOQUE – Na sua opinião, do que as igrejas evangélicas hoje mais precisam?

RICARDO GONDIM – As igrejas precisam fazer o dever de casa; e ele é hermenêutico. Não bastam as exegeses corretas se o uso do texto bíblico tem sido danificado. As intermináveis campanhas para se “conseguir” alguma bênção mostram que há uma influência pagã na interpretação dos textos bíblicos.
A pressão para ser grande mostra como a influência do mundo tem se tornado mais forte que a Palavra.
O fascínio com o poder político e com as riquezas mostra como a influência do diabo vem obscurecendo os olhos dos crentes.

ENFOQUE – E os pastores?

RICARDO GONDIM – Precisamos urgentemente meditar no significado mais profundo do que Jesus nos quis ensinar quando lavou os pés dos seus discípulos. O crescimento numérico das igrejas e seu prestígio político, econômico e social tem sido fonte de tentação para muitos pastores que ficam iludidos com títulos. Outros comportam-se como novos ricos. Muitos líderes vieram de camadas sociais pobres, mas, de repente, passaram a lidar com verdadeiras fortunas. Lamentavelmente, não suportaram as pressões e se iludiram com suas conquistas. Enxergam-se como “ungidos especiais” de Deus. Contudo, os pastores precisam se lembrar que não foram chamados para serem importantes, mas a escória do mundo; eles devem considerar que liderar o rebanho de Deus não significa status, mas responsabilidade. Não fomos chamados para sermos servidos, mas para servir.

ENFOQUE – Segundo o parecer de alguns, seu texto sobre o fenômeno tsunami deu a entender que Deus é limitado, como propõe a Teologia do Processo. Essa impressão está correta?

RICARDO GONDIM – Infelizmente, escrevi um texto angustiado com a morte de centenas de milhares de pessoas, e o setor mais fundamentalista e calvinista do movimento evangélico se apressou em me rotular dentro de uma determinada teologia. Surpreendi-me com a virulência dos ataques de quem se acha defensor da reta doutrina.
Não sou adepto da Teologia do Processo. Faço minhas elaborações teológicas procurando sínteses. Gosto de muitos teólogos latino-americanos que os defensores da Teologia do Processo sequer conhecem. Recuso-me a apequenar-me. Não me confinarei dentro das cercas que meus inimigos desejam me colocar. A Bíblia afirma que os que nasceram do Espírito são como o vento, que sopra e ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai. Quero ser assim.

ENFOQUE – Qual o saldo da polêmica proveniente do blog outrodeus?

RICARDO GONDIM – Eu e meu amigo Ed René Kivitz imaginamos criar um blog onde pudéssemos colocar algumas de nossas “inquietações” pessoais. Notamos, entretanto, que animosidades pessoais, preconceitos teológicos e, principalmente, intolerância a “tempestades de idéias” iriam tornar aquele blog um verdadeiro bangue-bangue para os fundamentalistas. Decidimos tirá-lo do ar para não alimentar o tiroteio que os setores mais conservadores gostam de alimentar.

ENFOQUE – O que acha que um pastor deve pregar hoje?

RICARDO GONDIM – Os pastores devem pregar mais a Bíblia. Infelizmente, os sermões, em sua grande maioria, são tópicos. Em outras palavras, os pastores lêem o texto bíblico apenas como pretexto e dizem o que querem, geralmente sem a menor conexão com o que foi lido. As igrejas não precisam de mais superstição, mais mensagens de auto-ajuda e mais historinhas bonitinhas, mas de Bíblia. Chega de contar ilustração e testemunhos, precisamos da Palavra.

ENFOQUE – Quanto tempo gasta para preparar um sermão?

RICARDO GONDIM – Certa vez, perguntaram a E. M. Bounds quanto tempo era necessário para se preparar um sermão, e ele respondeu: “Vinte anos; esse é o tempo que se prepara um homem”. Meus sermões são o resultado de tudo o que leio, penso, oro, vivo e converso. Mas o processo em si me consome pelo menos 5 horas.

ENFOQUE – Acha que os pastores são hoje omissos com relação à realidade política do país?

RICARDO GONDIM – Não. Acho apenas que os pastores são politicamente despreparados. Por isso são presas fáceis das raposas políticas que sabem manipular para proveito próprio. O embate político não é para ingênuos, a história da humanidade prova isso. Quanto mais aqui no Brasil, onde a máquina está nas mãos de uma elite centenária.

ENFOQUE – Por que decidiu ser um maratonista e dedicar-se à saúde física?

RICARDO GONDIM – Já corri 8 maratonas completas e 15 vezes a São Silvestre por puro prazer. Gosto de correr porque aprendo a disciplinar meu corpo, mente e espírito. Quando corro, tenho a oportunidade de ficar só, meditar, orar. Quem já correu uma maratona completa
(42 km e 195 metros) sabe da emoção de cruzar a faixa de chegada. Sinto que Deus fica feliz quando me contempla feliz.

ENFOQUE – Que autores já leu?

RICARDO GONDIM – Na literatura brasileira sou leitor de Machado de Assis, José Lins do Rego, Graciliano Ramos. Na teologia, gosto de Abraham Joshua Heschel, Henry Nouwen, Philip Yancey, Juan Luis Segundo, Orlando Costas, G. K. Chesterton. Na poesia, sou atraído por Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. Gosto das crônicas do Frei Betto. Na literatura mundial, leio Dostoievski, Thomas Mann. Gosto muito de biografias e considero Chatô – O Rei do Brasil, escrito por Fernando Moraes, um clássico.

ENFOQUE – Baseado em seu próprio livro, por que a igreja proíbe o que a Bíblia permite?

RICARDO GONDIM – A igreja proíbe porque acredita que o ser humano precisa de cabrestos e que a liberdade é perigosa. A Bíblia permite porque Deus nos quer livres. Nossos comportamentos devem ser guiados pela consciência da verdade, e não por leis.

ENFOQUE – Que sonhos tem ainda?

RICARDO GONDIM – Estou com 52 anos e meus sonhos hoje são menos heróicos e mais humanos. Sonho em viver em comunidades onde haja mais humanidade, com gente honesta para encarar suas sombras e menos paranóica em sua relação com Deus. Quero ver mais cristãos amando a justiça, menos gananciosos, mais doces, menos implacáveis com os fracos e mais cheios de graça e verdade, como foi Jesus.

ENFOQUE – Você já escreveu que sente necessidade de se distanciar do movimento evangélico. Isso ainda é verdade? Por quê?

RICARDO GONDIM – Sim, há um segmento mais visível, porque muito presente na mídia, com o qual não quero mais me identificar.
Não partilho de suas metas de “fazer do Brasil um país evangélico”, pois as considero triunfalistas e messiânicas; não gosto do uso de textos do Antigo Testamento dirigidos a Israel no período anterior ao exílio babilônico para justificar “que somos cabeça e não cauda”; não sei fazer da oração uma técnica para “conseguir bênçãos”. Isso sem mencionar minhas enormes restrições à ética de largos setores evangélicos que me deixa nervoso cada vez que abro o jornal – morro de medo de que em cada nova operação a Polícia Federal prenda apóstolos, bispos, missionários e pastores. Assim, sem afinidades e sem identidades, não quero ser parte desse movimento evangélico, embora queira muito ser seguidor de Jesus e pregador do Evangelho.
O movimento evangélico já não existe mais. Existem vários movimentos evangélicos. O termo “evangélico” possui um espectro tão largo, ele é um guarda-chuva tão abrangente, que perdeu sua identidade mínima. O que é ser evangélico? Eis uma pergunta pertinente e de dificílima resposta. Não basta citar um catecismo mínimo, como aqueles que as igrejas antigamente imprimiam em seus jornais. O que as igrejas evangélicas praticam em seus cultos, muitas vezes, são conflitantes. Muitos pastores, eu jamais convidaria para pregar em minha igreja, e sei que muitos pastores nunca me convidariam para sequer visitar suas igrejas. Portanto, se não nos identificamos e não temos coragem de repartir o púlpito, como podemos nos considerar participantes de um mesmo movimento?

– fonte: Revista Enfoque GOSPEL

Fonte eletrônica:

http://www.revistaenfoque.com.br

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A PARÁBOLA DA SEMENTE

Ele prosseguiu dizendo: “O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia, estando ele dormindo ou acordado, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como. A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então , o grão cheio na espiga. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita.

He also said, “This is what the kingdom of God is like. A man scatters seed on the ground. Night and day, whether he sleeps or gets up, the seed sprouts and grows, though he does not know how. All by itself the soil produces grain – first the stalk, then the head, then the full kernel in the head. As soon as the grain is ripe, he puts the sickle to it, because the harvest has come.”

Talvez o seu discipulado não esteja na velocidade desejada. Graças a Deus. Muitas vezes a nossa velocidade pode matar a semente. Leia novamente a parábola:
Primeiro o talo, depois a espiga e então , o grão cheio na espiga.

2008 será um ano de colheita. Se nos dispusermos a pregar o evangelho, Deus nos dará muitos frutos. Todos queremos os frutos.
Respeitemos pois as etapas do reino. Talo, espiga e grão.

Para não esquecer: A fórmula TEG. talo , espiga, grão.

Pense nisso.

Deus o abençoe.

Graça e Paz

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Mensagem de Assis – São Paulo – Por Paulo Cézar de Queiroz

ENCONTRO MARCADO

Algo emocionante para qualquer pessoa é marcar um encontro. Os momentos que antecedem este acontecimento são marcados de situações inusitadas, principalmente quando é o primeiro e com uma pessoa que nos atrai emocionalmente. O dia, a hora, o local, a roupa, o que falar etc.
E aí já passou por isso?

”Tem alguém ansioso para um encontro com você”, olha o que Ele diz em suas palavras:

Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Sl 53:2

Será que você está na situação deste outro “amigo” nosso:

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? Sl. 42:2

O dia: hoje.
A hora: agora.
O local: aí, onde você está.
A roupa: venha como está.
O que falar: abra seu coração.

Uma boa semana, em boa companhia, Paulo Cezar.

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PECADOS DA LÍNGUA

Houveram problemas: “Houve” problemas. Haver, no sentido de existir, é sempre impessoal.

Se ele dispor de tempo. É erro grave conjugar de forma regular os verbos derivados de ter, vir e pôr. Neste caso, o certo é “dispuser”.

Espero que ele seje feliz e Vieram menas pessoas: Dois erros inadmissíveis. A conjugação “seje” não existe. E “menos” não concorda com o substantivo, pois é advérbio e não adjetivo.(Vieram menos pessoas).

Ela ficou meia nervosa. “Meio” nervosa. Os advérbios não têm concordância de gênero.

Segue anexo duas cópias de contrato. Atenção para a concordância verbal e nominal: “seguem anexas”.

Esse assunto é entre eu e ela. Depois de preposição, pronome oblíquo tônico: entre “mim” e ela.

A professora deu um trabalho para mim fazer. Antes de verbo, usa-se o pronome pessoal, e não oblíquo: para “eu fazer”.

Fazem dois meses que ele não aparece. O verbo fazer indicando tempo é impessoal: “faz” dois meses.

Vou estar providenciando o seu pagamento. O chamado “gerundismo” não chega a ser erro gramatical, mas é um vício insuportável. “Vou providenciar” é mais elegante.

O problema vai ser resolvido a nível de empresa. O febrão do ” a nível de ” parece ter passado, mas ainda há quem utilize essa expressão pavorosa. Na frase em questão, “na” ou “pela” empresa são mais exatos e elegantes.

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