Segundo Tomás de Aquino, a gratidão se compõe de diversos graus. O primeiro consiste em reconhecer o benefício recebido; o segundo, em louvar e dar graças e o terceiro, em retribuir de acordo com suas possibilidades e segundo as circunstâncias mais oportundas de tempo e lugar.

Assim, há línguas que expressam a multifacética realidade da gratidão, tomando-a do nível 1: do reconhecimento do agraciado. (existe uma relação entre agradecer e pensar: to thank e to think (em inglês) e zu danken e zu denken ( em alemão; são as mesmas palavras. Só é agradecido quem pensa, pondera, considera a liberalidade do benfeitor.

Já a formulação latina de gratidão, gratias ago, que se projetou no italiano, no castelhano (grazie, gracias) e no francês ( merci-derivado de merces, salário ) é relativamente complexa. Tomás diz:

1) que seu núcleo, graça, comporta três dimensões:

a) obter graça, cair na graça, no favor, no amor de alguém que nos faz um benefício;

b) indicar dom, algo não devido, gratuitamente dado, sem mérito por parte do beneficiado;

c) a retribuição, “fazer graças”, por parte do beneficiado.

No trato De malo acrescenta-se um quarto significado de gratias agere: louvor: quem considera que o bem recebido procede de outro, deve louvar.

No quadro aqui exposto – o das expressões de gratidão em inglês, alemão, francês, castelhano, italiano e latim -

MUITO OBRIGADO -Cada forma de agradecer é um jeito de ver o mundo: THANK/ ZU DANKEN/ GRAZIE/GRACIAS/MERCI/OBRIGADO/ARIGATÔ

_ ressalta o caráter profundíssimo de nossa forma: “obrigado” (infelizmente, nestes últimos anos no Brasil, vem sendo substituído pelo insosso ‘valeu’). A formulação portuguesa, tão encantadora e singular, é a única a situar-se, claramente, no nível 3, o mais profundo da gratidão: o do vínculo (ob-ligatus), o do DEVER DE RETRIBUIR.

Tomás ensina que a gratidão deve – ao menos na intenção – superar o favor recebido. E que há dívidas por natureza insaldáveis: de um homem em relação a outro, seu benfeitor, e sobretudo em relação a Deus.

Se você chegou até este ponto da leitura verá então que é inevitável transpor esse texto, inicialmente tratando apenas de um aspecto da língua portuguesa, para um outro texto maior – A PALAVRA DE DEUS.

Deus nos deu seu maior presente. Sendo assim, como disse Paulo em Romanos 1.16: SOMOS DEVEDORES.

POR ISSO NÃO NOS ENVERGONHAMOS DO EVANGELHO – É PODER DEUS PARA SALVAÇÃO DE TODO AQUELE QUE CRÊ.